Yoga

Yoga

Uma per­gunta que es­cuto muito é se Ioga é para pes­soas gordas, velhas, deficientes físicos ou pessoas comuns que não são ginastas profissionais. Muito difundida por fa­mosos como Gise­le Bündchen e Rodrigo Santoro, a Ioga está se popularizando e muitos profissionais es­tão se especializando mais e se aprofundan­do na filosofia que é a sua base. Nas acade­mias já se ensina há algum tempo os ásanas, posturas físicas, mas Ioga não é só fazer po­ses mirabolantes contorcendo-se como um artista circense.

Tenho 42 anos, pratico Ioga há 10 anos e sou gordo. Ops! Expressão feia, não? Sinô­nimos então para ajudar: sou uma pessoa acima do peso ideal, robusta, com estrutura grande, com ossos grandes, pessoa “fora de forma”, ou outras expressões que disfarçam a realidade dos meus 129 kg . Sim, tenho es­se peso e não tenho problemas, pois a Ioga me trouxe presença e consciência. Apren­di com o Ayurverda, medicina milenar tra­dicional indiana, que todos nós temos nos­sos doshas, nossos biotipos variáveis e que, respeitando esse equilíbrio natural, isso traz paz e harmonia, não fazendo diferença os pa­drões ditadores da estética.

Só essa informação já bastaria para pra­ticarmos a Ioga. Além disso, existem muitos outros motivos. A disciplina mental e espiri­tual agregada à sua prática traz equilíbrio e conforto. Existem, sim, muitas posturas que não consigo fazer sem algumas adaptações, mesmo sendo instrutor de Ioga. Mas, ao res­peitar meus limites corporais, eu respeito minha vida e integro isso de forma harmo­niosa e sublime com conhecimento profun­do na fisiologia do corpo e adaptando qual­quer pessoa para a prática.

Sobre os princípios da Ioga, temos uma vas­ta sabedoria para assi­milar e aplicar em nos­sa vida. A Ioga tem oi­to passos muito bem sinalizados em um li­vro que seria como a sua”bíblia” – os Io­ga Sutras de Patanjali. São eles:

YAMAS, ati­tudes éticas que de­vemos ter diante do mundo e de nós mesmos:

  • Ahimsa (não vio­lência)
  • Satya (não mentir)
  • Asteya(não rou­bar)
  • Brahmacharya (não promiscuidade e exagero dos sentidos)
  • Aparigraha(desape­go).

NYAMAS, cinco atitudes que devemos promover em relação a nós mesmos:

  • Sau­cha (limpeza tanto física como sutil, mental)
  • Santosha (contentamento)
  • Tapas(autodisci­plina, austeridade)
  • Swadhyaya (estudo de si mesmo, auto-observação)
  • Ishvara Pranidha­na (devoção, estar em unidade com o divino).

ÁSANAS: posturas físicas. Segundo Patanja­li, o ásana deve ser estável e confortável, is­so significa que a intenção nos estabiliza e a proteção nos conforta.

PRANAYAMA: expan­são da energia vital (prana) por meio da res­piração.

PRATYAHARA: controle dos senti­dos e a estabilização das sensações da men­te.

DHARANA: concentração e atenção fixa em um único ponto.

DHYANA: meditação.

SAMADHI: estado de comunhão com Deus.

Com isso, vemos que a prática da Ioga es­tá muito além de posturas fotográficas, e sim beneficiando a reforma íntima de cada um, trazendo conforto e bem-estar para o indi­víduo. Por isso eu digo, com muito orgulho: sou iogi praticante e gordo, mas se a palavra for forte demais, usemos os sinônimos que mais se adequarem, mas nunca deixem de fazer algo tão maravilhoso como a Ioga pa­ra a vida de vocês.

Namastê!

William Faccini é Instrutor de Ioga do Prem Sammasati.

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